domingo, julho 02, 2006

Movimento pelo Tatu tropical


Quem nunca ouviu falar da misteriosa caverna, em São Tomé das Letras, ligada por um mítico túnel diretamente a Machu Pichu, a cidade sagrada dos Incas? Pois no Rio de Janeiro há um túnel mágico também, nada mítico, feito em concreto, que liga a vida real e dura dos brasileiros pobres à uma espécie de ilha da fantasia tropical.
O Túnel Rebouças, via expressa de tráfego intenso, separa as casas pobres de tijolos do Jornal Nacional das coberturas ensolaradas da novela das 8 (by Manoel Carlos).
Pra quem não conhece, o túnel começa num elevado cinza, passa sob o morro que serve de pedestal ao Redentor e desembarca no espelho d'água da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde só falta o Tatu, aquele anãozinho que recepcionava os visitantes da Ilha da Fantasia no seriado brega norte-americano. No programa, os visitantes chegavam num hidroavião. Aqui, chegam de carro vindos da Linha Vermelha que corta a Baixada Fluminense... Quite a view!
Como novo morador deste paraíso natural de contrastes sociais, decidi contribuir com a paisagem urbana carioca e iniciei um movimento pela construção de uma estátua do anãozinho Tatu, mas em proporções agigantadas, a ser instalada logo na saída do túnel que separa base e pico da pirâmide de renda do IBGE. Um imenso anão gigante - se é que isso é possível -, uma espécie de Tatu Tropical, a nos lembrar, assim que saímos do túnel, que estamos entrando na Ilha da Fantasia das elites brasileiras.

4 comentários:

Anônimo disse...

Tem meu voto! Aqui no Rio as pessoas tem o habito de perguntar: "Antes ou depois do tunel?". Quanto mais túneis você passa para chegar em casa, pior voce está na "escala carioca de status social"... Nasci e me criei na Tijuca. Bairro que fica a 2 túneis :-O do paraíso tropical... Agora me mudei para o Alto da Boa Vista... nenhum túnel para o paraíso! Só uma serra... :-)

Jaque

Celina disse...

Como paulistana que adora o Rio, tenho de admitir que, por mais ufanista que sejam, as novelas do Manoel Carlos fazem um bem enorme à alma de quem está a quilômetros de distância dessa cidade maravilhosa (desculpem o trocadilho).
Longe dos túneis, a zona Sul descrita por ele proporciona relaxamento certo para aquelas que conseguem chegar em casa e acompanhar as histórias de todas aquelas mulheres.
Sorry, Ferdi - ao invés de analisar a sociologia dos túneis, acabei assumindo meu lado noveleira. Uma hora isso passa - rs.
Beijos pra vocês!

Ferdi disse...

Oi Celina. Eu também adoro o Rio do Manoel Carlos, do Leblon e de Ipanema coloridos. Só queria que ele existisse para todos e não para uma pequena parcela de afortunados. Por isso a proposta do anão gigante na saída do Rebouças. Para lembrar a elite de que a Cidade Maravilhosa só será real quando for maravilhosa para todos. Beijos. (E não perca o próximo folhetim das 9. É do Manoel Carlos!)

Anônimo disse...

Por que nao:)