segunda-feira, janeiro 21, 2008

Pensamentos compensatórios

Sempre que passo por uma grande mudança, deixo para trás muitas coisas de que gosto. O contra-ataque a essas querências é a inevitável lista de alívios, do tipo "pelo menos não terei mais de suportar o trânsito..." ou outras coisas que me irritavam no dia-a-dia.

Justamente por isso, a "separação" do Rio tem sido tão mais dolorosa. A lista de saudades é enorme (nem preciso enumerá-las de novo, basta ler este blog). Mas, acreditem, não consigo colocar um ítem sequer na lista de alívios.

O trânsito não existia para mim, um sem-carro convicto na capital fluminense; poluição, muito menos, com aquela brisa marítima constante e o verde na paisagem. Os transportes públicos eram ótimos (onde eu vivia, na Zona Sul); os cinemas passavam todos os filmes que eu queria ver e eu ainda podia chegar faltando cinco minutos para a sessão que sempre tinha ingresso.

A violência? Para horror de muitos amigos paulistanos, sempre disse que me sentia mais seguro no Rio do que em São Paulo. Na minha cidade de natal, eu andava de carro sempre com medo de sofrer um seqüestro-relâmpago a qualquer momento.

Tudo bem, o serviço nos bares e restaurantes não era tão ágil e eficiente. Mas, pensando bem, para que tanta pressa se vamos passar a noite bebendo vários chopes e jogando conversa fora?

Claro que a cidade tem problemas, como qualquer cidade grande tem. Mas tem muitas qualidades que, definitivamente, não se encontra facilmente por aí.

O que me consola é que essas coisas boas continuarão lá, no Rio, quando eu voltar de Luanda.

3 comentários:

Celina disse...

Realmente, vc se tornou muito mais carioca do que qualquer habitante dessa cidade. E o sotaque, conseguiu abandonar o paulistês?

Jaque disse...

Amigoooo, eu nao sabia que a Casa da Lagoa virtual ainda estava em atividade! Que delicia te ler e sentir voce mais perto... Saudade... O que tem feito?

O nosso Rio de Janeiro está aqui te esperando. Ele te conquistou e voce conquistou ele... ganhando lugar cativo no coracao de um monte de cariocas e paulistas exilados por aqui.

E Celina, nao... ele nao perdeu o sotaque! E eu nao esqueco do "merrrgulhão". hahahaha

Vivi disse...

Boa sorte para vcs nesta nova etapa. Espero que as publicações no espaço continuem...