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sexta-feira, setembro 14, 2007

Eu tenho valor! E você, Senador???

Liberdade, igualdade, solidariedade, respeito, cidadania, altruísmo, honestidade, tolerância, justiça... Lembramos aos senadores e a todos aqueles que, graças aos nossos votos, ganharam uma cadeira nas assembléias e executivas desse país, que nós ainda temos e valorizamos tudo isso. E exigimos que, como nossos representantes, eles zelem por esses valores em cada um de seus atos políticos.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Quais são os seus valores?


Poderia escrever linhas e mais linhas tentando extravasar a decepção que estou sentindo com relação ao senado do nosso país. Mas de repente caiu a ficha de que nossas linhas há muito já não são lidas por aqueles que teoricamente estão nos representando lá em Brasília.


Poderia buscar na justiça meios para deslegitimar a votação de hoje, articulada de forma covarde nos bastidores. Mas de repente caiu a ficha de que há muito que o poder fez "uns mais iguais que os outros", e colocou-os confortavelmente dentro de uma caixa blindada onde as leis dos comuns não conseguem entrar.


Poderia esperar as próximas eleições e votar nulo para o senado, em protesto a cada um dos 40 senadores que votaram a favor da corrupção, do descaso, da falta de ética e de tudo o mais que Renan Calheiros representa. Mas de repente caiu a ficha de que até lá a memória de muitos brasileiros já vai estar apagada, e a força do marketing, a força do dinheiro e a força do hábito (!) vão nos fazer ir às urnas, como bobos da corte, abençoar os mesmos nomes e os mesmos vícios.


Então como protestar num país em que as palavras não valem, as leis não valem, os votos não valem?


Aqui vai minha sugestão para um protesto internético, acreditando na força das imagens, das redes e sobretudo dos valores humanos que existem (mesmo que às vezes adormecidos) dentro de cada um de nós:


1. Pergunte-se, pergunte-se, pergunte-se: Quais são os seus valores??????????????


2. Saia de preto amanhã, em luto por todos os valores que estão morrendo em nosso país. E escreva uma frase de protesto num lugar onde possa ser visto pelo maior número de pessoas. Na roupa, no carro, na janela de casa, na tela do seu computador, na mesa de trabalho, no Cristo Redentor! Se alguém quiser uma sugestão, a minha será: "Eu tenho valor! E você, senador?"


3. Fotografe o seu protesto e coloque as imagens na internet, usando youtube, email, blogs e todos os outros meios que possam levar nossa mensagem pelo mundo.


4. Repasse as mensagens que receber de outros. Faça circular!


Em algum momento alguma das nossas mensagens vai chegar na tela de alguém que está precisando refletir sobre isso! Se ela mudar de atitude, já será uma grande vitória.

Sobre dias que fazem história

Um dia histórico é aquele fica marcado na memória das pessoas a ponto de, anos depois, elas ainda se recordarem do que estavam fazendo quando aquele fato ocorreu. Eu me lembro de assistir, quando criança, às minhas tias em volta daquela mesa da casa da minha avó recordando o que estavam fazendo quando Getúlio Vargas deu um tiro no peito, ou como haviam recebido a notícia do assassinato de John Kennedy nos Estados Unidos. Era um espanto para mim: como elas eram capazes de recordar em detalhes o que faziam num tempo em que eu nem havia nascido?
Só fui entender isso quando os fanáticos da Al Qaeda colocaram Lee Oswald na pré-história dos atentados, com o ataque ao WTC. Eu dirigia Rua Luminárias acima, na Vila Madalena, em São Paulo, quando meu celular tocou e uma amiga deu a notícia de que um avião havia batido numa das torres. Tive uma reação semelhante à do Bush diante da cartilha da primeira série (quem assistiu Farenheit 911 deve se lembrar). Meio atônito, fiquei imaginando se teria sido um acidente? Diante da notícia do segundo choque, que recebi já na redação, as dúvidas se acabaram... Esses episódios mostram que, quanto mais inesperado o fato, maior a chance de se transformar em algo realmente histórico, que marque aquele dia na memória de todo mundo.
Todas essas digressões são só para dizer que a absolvição de Renan Calheiros pelos colegas, ontem, não será um desses dias históricos. Ou alguém realmente esperava que ele fosse caçado? Para quem não tem boa memória (ou idade para se lembrar), Renan foi da tropa de choque de Fernando Collor no Congresso, quando era o próprio Boi Gordo (devido ao peso excessivo) e ficou no barco do ex-presidente, junto com Roberto Jefferson, até a retirada pela porta dos fundos. Como sei que daqui a um mês não me lembrarei do que estava fazendo enquanto o Senado assava a pizza, decidi deixar devidamente registrado neste blog: recebi a notícia da absolvição do nobre senador quando pagava, pela internet, os impostos federais da minha humilde empresa.
Como diriam lá no lugar onde eu trabalho, em coro de arquibancada: "Chupa Ferdi!!!!"

quinta-feira, agosto 30, 2007

Divagações

O Globo acaba de publicar uma excelente série de reportagens sobre os brasileiros que continuam vivendo na ditadura. Foi uma semana com histórias horríveis de cidadãos que têm seus direitos civis tolhidos pela atuaçã truculenta de traficantes, parapoliciais e até mesmo da polícia (que, em tese, deveria lhes garantir o direito à cidadania).
De tudo o que foi publicado, a história que mais me marcou foi a de um adolescente que trabalhou para o tráfico, perdeu um fuzil na mão da polícia e teve de fugir do morro para não morrer. Foi parar num abrigo para testemunhas. Lá ele disse à repórter que tem a mãe dele como modelo de vida, depois de sair do tráfico. E contou que nos tempos do movimento, chegou um dia em casa em casa cheio de dinheiro no bolso, viu que as irmãs só tinham arroz para comer, pegou o dinheiro que ganhara dos bandidos e deu para a mãe comprar comida. A mulher rasgou o dinheiro na cara dele.
- Na época eu não entendia porque ela fazia aquilo, mas hoje vejo que ela estava certa.
O primeiro pensamento que me veio à cabeça, sem muita reflexão, ao ler essa história foi: "Porque essa mulher mora numa favela violenta e o Renan Calheiros é presidente do Senado?" Em seguida, refleti um pouco mais e a pergunta que gostaria de dividir com vocês é: vocês conhecem muitos diretores e executivos de empresas que seriam capazes de fazer algo semelhante? Recusar uma verba por não ser de fonte muito confiável?
Talvez a resposta para a segunda pergunta ajude a entender porque existem tantos Renans e mensaleiros. Mas esses executivos e diretores da iniciativa privada são os que pagam os anúncios que sustentam as grandes empresas de mídia. E, talvez por isso, a nossa imprensa livre prefira concentrar seu foco nos corrompidos e não nos corruptores.
Eu disse talvez, apenas. Se vocês tiverem argumentos contrários, por favor, postem em seus comentários. Este é um daqueles casos em que é preferível estar errado, porque estar certo significa perder a esperança.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Rio Como Vamos

O empresário Oded Grajew começou seu discurso perguntando:
- Alguém sabe quais são as metas de educação da atual prefeitura do Rio para o fim do mandato? E para a saúde?
Silêncio no auditório da Federação do Comércio do Rio. Ele continuou:
- E as metas do governo estadual ou do federal? Vocês fazem parte de um público formador de opinião e não sabem. Simplesmente porque não existem metas. A gente não tem critérios técnicos para avaliar o desempenho dos nossos administradores públicos.
Com seu jeito calmo e cabeleira branca, Oded então explicou o principal objetivo daquelo grupo: inspirado no programa Bogotá Como Vamos, que em dez promoveu uma revolução social na capital colombiana, o Rio Como Vamos pretende criar critérios técnicos de análise e avaliação das gestões públicas. Oded estava ali como um pioneiro, já que participa do grupo que lançou movimento idêntico em São Paulo, chamado Nossa São Paulo, Outra Cidade.
Se tudo correr como na Colômbia, os parâmetros criados pelo grupo gerarão metas que os prefeitos terão de se desdobrar para cumprir. Sob pena de serem penalizados nas urnas. Em Bogotá, três administrações sucessivas de prefeitos de partidos diferentes deram continuidade aos projetos das gestões anteriores porque esse era o desejo expresso pela população.
- Esse programa estimula a democracia participativa. E é isso o que precisamos para mudar o jeito de governar no Brasil. Alguém aqui sabe qual é o orçamento da prefeitura do Rio para 2007? Pois é, enquanto nós continuarmos não nos preocupando com o orçamento, ele vai continuar ficando nas mãos de quem se preocupa com ele.
O Rio Como Vamos, assim como o seu inspirador colombiando e o primo paulistano, é um grupo apartidário, formado apenas pela sociedade. E a intenção é mudar a realidade que o Nossa São Paulo encontrou na pesquisa realizada pelo Ibope junto à população. A revelação foi feita por Oded:
- Sabem qual o maior sonho dos paulistanos, identificado na pesquisa? Que as coisas não piorem.