A pracinha é pequena. Tem um coreto no meio e está cercada por casas antigas, algumas no estilo alemão que marcou a colonização daquelas serras na região de Nova Friburgo. Lumiar, onde fica a praça, é um distrito dessa cidade marcada pela produção de calçados e de lingerie, no interior do Rio. Tem algumas ruas e uma infinidade de trilhas na mata e de cachoeiras. Os rios que a cortam, o Macaé e o Bonito, são caudalosos e barulhentos.
Tudo é muito diferente do Rio de Janeiro das praias ensolaradas. Os horizontes são estreitos, limitados por montanhas verdes, o ar é fresco, muitas ruas ainda são de terra. De todas as diferenças, porém, o que realmente me chamou a atenção foi a grande quantidade de crianças que brincam na praça, na noite de sábado. Nas grandes cidades nós perdemos essa espontaneidade. Criança na rua virou sinônimo de flagelo. Mas Lumiar ainda vive a inocência dos tempos em que a molecada se reunia para brincar. Eu mesmo passei bons anos nas ruas em São Paulo, sem prejuízo dos estudos ou da boa conduta. Não existia play, não existiam videogames e a gente era feliz assim mesmo.
Hoje, nas grandes cidades, criança de família está devidamente trancada em casa, na frente de uma televisão.
Ainda bem que ainda existe Lumiar.
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quarta-feira, novembro 21, 2007
quinta-feira, outubro 04, 2007
No caminho tinha uma praça
Saí de uma reunião de trabalho às 16:30 e tinha um compromisso às 18:00. Inevitavelmente comecei a calcular o que faria nesse intervalo. Lembrei dos emails que tinha que mandar, das coisas que precisava comprar, dos telefonemas que tinha que fazer, do relatório que estava atrasado... Ao final decidi ir a um cibercafe cuidar dos emails.
Mas no caminho tinha uma praça.
Um praça tijucana totalmente desconhecida para mim. Cheia de crianças brincando, árvores altas, velhinhos jogando dama e bancos, muitos bancos. Pára tudo, pensei. Ou, como disse uma vez meu poetinha, pára o mundo que eu quero descer. Deixei os emails pra depois e me sentei em frente ao balanço.
Meia hora no banco da praça foi o presente do meu eu zen pro meu eu sem-(tempo) (sempre sem-tempo!). Tirei os sapatos, deitei. Fiquei ouvindo o barulho esquisito das pombas, vendo as miúdas flores amarelas anunciarem a primavera, a vendedora de algodão doce, o sorveteiro curioso passando para ver o que eu rabiscava, as crianças de volta da escola, as meninas jogando vôlei numa roda sem jeito, as crianças no balanço... Ai, como eu gostava de um balanço... E que nostalgia me deu o grunhido da corrente enferrujada a cada balançar.
E se eu tivesse ido ao cibercafe? O tempo passaria voando e eu provavelmente sairia com a sensação de que não foi o suficiente para todos os meus emails. Lá se ia o dia sem ter sido vivido! Acho que os 30 minutos que passei na praça foram os mais bem aproveitados do meu dia. Deixei de ser refém do tempo para escolher o que fazer com ele. E me senti mais viva do que nunca!
Estou lançando a campanha: Dê 30 minutinhos de praça ao seu dia!
Mas no caminho tinha uma praça.
Um praça tijucana totalmente desconhecida para mim. Cheia de crianças brincando, árvores altas, velhinhos jogando dama e bancos, muitos bancos. Pára tudo, pensei. Ou, como disse uma vez meu poetinha, pára o mundo que eu quero descer. Deixei os emails pra depois e me sentei em frente ao balanço.
Meia hora no banco da praça foi o presente do meu eu zen pro meu eu sem-(tempo) (sempre sem-tempo!). Tirei os sapatos, deitei. Fiquei ouvindo o barulho esquisito das pombas, vendo as miúdas flores amarelas anunciarem a primavera, a vendedora de algodão doce, o sorveteiro curioso passando para ver o que eu rabiscava, as crianças de volta da escola, as meninas jogando vôlei numa roda sem jeito, as crianças no balanço... Ai, como eu gostava de um balanço... E que nostalgia me deu o grunhido da corrente enferrujada a cada balançar.
E se eu tivesse ido ao cibercafe? O tempo passaria voando e eu provavelmente sairia com a sensação de que não foi o suficiente para todos os meus emails. Lá se ia o dia sem ter sido vivido! Acho que os 30 minutos que passei na praça foram os mais bem aproveitados do meu dia. Deixei de ser refém do tempo para escolher o que fazer com ele. E me senti mais viva do que nunca!
Estou lançando a campanha: Dê 30 minutinhos de praça ao seu dia!
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