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sexta-feira, julho 06, 2007

Simplicidade

Camisetinha rosa com short azul, camisetinha laranja com short vermelho, camisetinha amarela com short verde, camisetinha azul sem short, mas com uma zebrinha de plástico na mão. Pulando ondas na beira do mar e rodando e "caindo" de bunda na água e levantando e pulando ondas de novo. De vez em quando, uma pausa para a zebrinha beber água. A platéia vazia é a praia de inverno. Água fria? Quem liga? Preocupação é a próxima brincadeira, depois que se cansarem de tantas gargalhadas. Em que momento da vida mesmo a gente perde essa simplicidade?

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Instituições cariocas 3: Ponta do Calabouço

Agora ele enlouqueceu de vez, você deve estar pensando. Quem já ouviu falar nesse lugar? Acredite ou não, se você já esteve no Rio, tem grandes chances de ter pisado exatamente em cima da Ponta do Calabouço. Pois ali, onde pousavam os primeiros hidroaviões que vinham de todo o Brasil e até do exterior, começou a nascer, em 1934, a instituição carioca sobre a qual versa este post: o Aeroporto Santos Dumont.
Para que todos nós pudessemos chegar de São Paulo bem no centro do Rio, o governo federal jogou mais de 2,7 milhões de metros cúbicos de terra sobre 370 mil metros quadrados da Baía de Guanabara. Em 1936, com uma pista de 700 metros de comprimento, ele se tornou o primeiro aeroporto civil a ser inaugurado no Brasil.
Agora, aos 71 anos, esse velho aviador está passando por uma recauchutagem. As autoridades decidiram que ele precisava da plástica para dar conta de receber 8,5 milhões de passageiros por ano. Do jeito que está hoje, recebe 3,5 milhões - gente que passa por um de seus quatro portões na acanhada salinha de embarque ou desembarca a pé, pelo único gate de saída. Oficialmente, porém, ele só tem capacidade para 1,8 milhão de viajantes por ano.
As obras começaram em 2004 e deveriam ter ficado prontas em janeiro. Não ficaram e estão agora, prometendo aprontar até abril o novo terminal de embarque.
Maravilha da engenharia aeroportuária moderna, a nova sala será toda envidraçada. Inclusive no teto (para que os viajantes não percam a vista de outras instituições cariocas como o Corcovado e o Pão de Açúcar). E terá nove pontes que vão despejar os passageiros diretamente dentro das aeronaves, à moda das linhas de produção em massa.
O que é uma pena. Sem a romântica caminhadinha pela pista, não vai mais ser possível contemplar um nascente como esse aí de baixo, que fotografia manhã dessas, a caminho de São Paulo.


domingo, janeiro 14, 2007

Instituições cariocas 1: pôr-do-sol na lagoa

Há muitos lugares no Rio de onde se pode admirar o pôr-do-sol. No arpoador, o pessoal até bate palmas quando o último pedacinho de sol desaparece atrás do Dois Irmãos. Mas o pôr-do-sol que está mais presente na minha vida carioca é mesmo o da Lagoa.

Agradeço aos Deuses toda vez que desço do ônibus, chegando do trabalho, e vejo aquele céu rosa-dourado atrás da Pedra da Gávea. Na boa, parece meu suco de maracujá com repolho roxo, onde o amarelo e o rosa parecem ter sido feitos um pro outro (claro que meu suco não tem o brilho do céu, nem aqueles fiozinhos de ouro que se formam no contorno das nuvens). Acho que no Rio os Deuses têm photoshop. Só pode ser... Pra pintar o céu naquelas cores, naquela intensidade, com uma tonalidade diferente a cada dia. Nada mais sábio como a natureza para recriar a rotina em tantas versões originais.

Ontem, saí apressada para pegar um filme na locadora dez minutos antes dela fechar. Mas quando cheguei na rua, vi aquele céu cor de suco-de-maracuja-com-repolho-roxo-mais-os-fios-dourados. É paralisante, um insulto resistir. Voltei correndo e peguei a câmera pra compartilhar com vocês esse momento. Taí embaixo:

(Detalhe: cheguei na locadora meia-hora depois e ela ainda estava aberta. Acho que eles também pararam o relógio para se despedir do sol).